Fogos de outubro de 2017

Lesados dos fogos querem 100 milhões de euros no OE para ajudar regiões afetadas

Segundo a MAAVIM, houve 30 mil declarações de prejuízos, mas apenas 25 mil receberam apoios.

Bombeiros
Miguel Veterano

O líder do Movimento de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), Fernando Tavares Pereira, defendeu esta segunda-feira, em Coimbra, que o Governo deveria alocar uma verba de 100 milhões de euros no Orçamento do Estado para 2019, por forma a ajudar a recuperar as regiões afetadas pelos incêndios de 2017.

“Já é tarde, mas ainda viria a tempo de poder ajudar a que a economia do interior pudesse vir a ter alguma vida diferente da que tem”, afirmou o responsável, que falava aos jornalistas numa conferência de imprensa, em Coimbra.

Na conferência, Fernando Tavares Pereira voltou a exigir ao Governo para que reabra as candidaturas aos apoios na agricultura, considerando que há milhares de produtores que ficaram de fora das ajudas estipuladas pelo Estado.

Segundo a MAAVIM, houve 30 mil declarações de prejuízos, mas apenas 25 mil receberam apoios.

Para o movimento de vítimas, tal deve-se ao facto de, a 18 de novembro de 2017, o Governo ter anunciado uma alteração no apoio simplificado, alterando os procedimentos de candidaturas e anulando todos os processos que já tinham sido apresentados, “conferindo apenas nove dias úteis para a apresentação de novas candidaturas em substituição das apresentadas”.

Para além dessa questão, o movimento voltou a alertar para outros problemas nos apoios à agricultura, que também têm sido relatados por produtores à agência Lusa, nomeadamente a atribuição de valores abaixo do preço de mercado por material que necessita de ser reposto, o que leva a que candidaturas possam chegar a ter “cortes de 70%”.

“A MAAVIM não está sozinha. Presidentes de Câmara e deputados estão ao lado da MAAVIM, que continua a dar voz a todos os que nada receberam”, frisou Fernando Tavares Pereira, aludindo também à recomendação aprovada na Assembleia da República para a reabertura das candidaturas, que “o ministro da Agricultura [Luís Capoulas Santos] não acatou”.

Luís Brito, produtor afetado do concelho de Oliveira do Hospital, também presente na conferência de imprensa, acusou o Ministério da Agricultura de agir “de má fé”, sublinhando que as pessoas “foram esquecidas e abandonadas”.

“A justiça tem que ser reposta. É uma região muito grande, foram 200 mil hectares que arderam quase de forma contínua e o ministro abandonou-nos completamente”, realçou.

Os incêndios de outubro de 2017, que atingiram sobretudo a região Centro, provocaram pelo menos 50 mortos, além da destruição de centenas de casas, empresas, infraestruturas e vasta área florestal.

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